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Universidade, Sensemaking e Projetos

setembro 21, 2011

Em um mundo cada vez mais interconectado, onde a comunicação, o conhecimento e as redes impactam nossa vida pessoal, social e profissional, a Universidade enfrenta novos desafios e assume um papel institucional ainda mais relevante do que em eras passadas. Tal papel é desempenhado, tradicionalmente, por meio da formação de novos profissionais (nos níveis de graduação, pós-graduação e extensão) e na busca da compreensão de vários fenômenos que nos cercam – físicos, econômicos, sociais, humanos, ambientais, cognitivos, etc. A Universidade é reconhecida pela sua participação em sistemas de inovação, e tem uma imagem de instituição independente e guiada por valores bem estabelecidos. Neste mundo de mudanças contínuas e ainda não totalmente compreendidas, pessoas e organizações procuram se reinventar. Com a Universidade não tem sido diferente. Um terreno ambíguo, mas desafiador – seja no ensino, na pesquisa ou na interação com a sociedade –, está presente e tem estimulado a discussão de novos modelos acadêmicos.

Sensemaking é um processo através do qual podemos buscar significado para um contexto ambíguo e conflitante. De acordo com Karl Weick “sensemaking é testado ao extremo quando as pessoas se deparam com um evento cuja ocorrência é tão pouco plausível, que elas hesitam em relatá-lo por medo de não serem acreditadas. Essencialmente, essas pessoas pensam consigo mesmas: não pode ser, então não é”. Ainda, segundo Weick, “o conceito de sensemaking tem um nome apropriado porque significa, literalmente, a produção de sentido. ´Agentes ativos constroem eventos sensíveis e sensatos`. Eles ´estruturam o desconhecido`. Como eles constroem o que constroem, por que, e quais os efeitos, são as questões centrais para as pessoas interessadas em sensemaking”. Encontrar sentido pode demandar tempo.

A busca de sentido é particularmente importante em um ambiente baseado em projetos. Uma vez dado sentido a uma decisão e ao seu contexto, as ações (programas e projetos), a serem desenvolvidas a partir da consecução do sentido, tornam-se melhor compreendidas e podem ser executadas de forma mais natural, eficiente (executar bem o projeto) e eficaz (executar o projeto certo).

Projetos têm ocupado um papel relevante na sociedade atual. O Banco Mundial calcula que a aproximadamente 22% do PIB global é baseado em projetos. A execução de um projeto representa um esforço temporário – com data de início e de conclusão – que tem como objetivo criar (construir, produzir), de forma singular, um produto ou serviço. Projetos permitem organizar o trabalho de forma temporária e focada, e têm um ciclo de vida que depende da sua natureza. A execução de um projeto passa por várias fases e é influenciada por vários stakeholders, incluindo a própria instituição executora. Programas e projetos são usados para operar o resultado de uma decisão, sendo também ferramentas adequadas para implantar processos de mudança. Projetos podem ser vistos como organizações temporárias. Muitas organizações, e mesmo setores econômicos, são estruturadas como projetos. A indústria de software e a indústria cinematográfica são dois exemplos de setores cujas empresas são baseadas em projetos.

A Universidade, embora não reconhecida explicitamente, é uma organização baseada em projetos: vários projetos de pesquisa são desenvolvidos; projetos de reforma curricular avançam e atualizam cursos e programas de pós-graduação; um curso superior, do ponto de vista do aluno, é um projeto; o desenvolvimento de uma dissertação de mestrado ou uma tese de doutorado são projetos; uma reforma regimental é um projeto; projetos de cooperação técnica são desenvolvidos com empresas; a construção ou reforma de um prédio é um projeto. Até uma aula, esse conceito tão fundamental da vida acadêmica, pode ser vista como um projeto. A busca de um novo reitor também é um projeto.

A decisão que precede a execução de um projeto é tão importante, ou até mais importante, do que a execução do projeto e a entrega exitosa do seu objeto. A decisão deve “sair” alinhada estrategicamente, com consenso ou comprometimento, de forma a não causar pressões indesejadas durante a execução do projeto que a concretizará e, o que seria mais grave, resultar em um produto ou serviço que não atende a nenhuma demanda.

Em um ambiente cada vez mais dominado por fatores de mudança e incerteza, a utilização de sensemaking e projetos pode ajudar a Universidade a dar sentido à sua missão e a desempenhar melhor o seu papel.

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Melhoria contínua

maio 8, 2008

Melhorar é transformar algo bom em melhor. Melhorar é tornar algo ruim em algo regular. Ou algo péssimo em algo ruim. Na área da garantia e controle da qualidade, presente em várias indústrias, existe uma abordagem à gestão da qualidade chamada de MELHORIA CONTÍNUA: melhorar sempre, mesmo que pouco a pouco. Conceito a princípio simples, exibe um poder muito grande quando exercitado ao longo do tempo.

A setor público no Brasil é frequentemente acusado pela falta de continuidade dos seus projetos. Muitos destes projetos, alguns muito ambiciosos nos seus objetivos e caros nos seus orçamentos, terminam cancelados e esquecidos. Tais projetos, em áreas como saúde, educação, habitação, saneamento, segurança e infra-estrutura, certamente poderiam contribuir, quando finalizados com sucesso, pela melhoria – contínua – geral da sociedade. Será que, ao invés de um projeto ambicioso e arriscado, não seria melhor uma sequência de projetos menores mas que contribuam, contínuamente, para melhorar algum aspecto da sociedade?

Os japoneses usam uma palavra especial que define esta melhoria contínua, gradual na nossa vida pessoal, familiar, social e profissional: KAIZEN, mudança para melhor.

Compreender e praticar uma gestão pública voltada para a melhoria contínua certamente é responsabilidade de todas as instituições da nossa sociedade. Portanto, desconfie sempre dos mega-projetos e pergunte o quanto eles serão efetivos e contribuírão para a melhoria da nossa sociedade.

Pratique, na sua vida pessoal e no seu dia-a-dia a sua melhoria contínua. Em 40, 50, 60 anos você verá a diferença. Basta ter paciência, persistência e dominar a crescente ansiedade que pressiona todos nós.